A palmada na hora de educar resolve?


Quando o assunto é a educação dos filhos frequentemente nos deparamos com uma infinidade de técnicas e métodos. Há os pais adeptos ao método da palmada. Segundo a Unicef, 6 em cada 10 crianças, entre as idades de 2 a 14 anos, são submetidas à castigos físicos regularmente por pais ou responsáveis em diversos países.  A justificativa muitas vezes é acompanhada por frases como “apanhei quando era criança e não tive problema nenhum”.
Pois, um estudo feito recentemente sobre as consequências da palmada mostra alguns problemas dessa prática.
A pesquisa revisou 75 trabalhos científicos sobre pais que batiam em seus filhos, o que equivale a mais ou menos 50 anos de estudo sobre o assunto.
Com o intuito de delimitar a pesquisa para um maior aprofundamento, focou-se somente em agressões leves, entendidas como palmadas direcionadas às nádegas ou extremidade como a mão aberta. O objetivo era saber as consequências do castigo físico, se este era eficaz ou não.
O resultado foi de acordo com alguns resultados já relatados. A punição física não melhora o comportamento (às vezes faz a criança se comportar pior), não ensina o que está errado e o que está certo, piora o relacionamento entre pais e filhos e não está relacionado com cumprimento da ordem.
Mesmo estudando somente palmadas entendidas como castigo leve, o estudo mostra que isso já basta para causar consequências prejudicais na psique da criança, colocando essa prática como totalmente ineficaz.
Abaixo os resultados do estudo:
I. Bater nos filhos está associado com alto risco de resultados prejudiciais
Os resultados apontam para uma alta correlação de consequências negativas à crianças, mesmo se tratando de palmadas leves. Entre elas;
(1) comportamento mais agressivo
(2) comportamento anti-social
(3) internalização de problemas
(4) problemas de saúde mental
(5) relacionamento negativo com pais
(6) baixa internalização moral
(7) baixa habilidade cognitiva
(8) baixa auto estima
Também se verificou a perigosa associação com o abuso físico, pois um dos pontos de maior efeito foi que crianças que mais recebiam palmadas mais chances tinham de serem abusadas fisicamente por seus pais. Não que todos aqueles que fossem bater necessariamente um dia iriam violentar fisicamente de seus filhos, mas seria como um continuam de violência, onde as palmadas seriam o início e a agressão física a ponta.
Dos adultos que relataram ter recebido palmadas dos pais, 3 de 4 consequências estavam relacionados ao histórico de punição física, como: comportamentos anti-sociais, problemas de saúde mental e apoio de adultos para punição física. Esse último efeito em especial mostra como há uma cultura intergeneracional de transmissão prática da palmada ou de como lembra do passado tentando racionalizar as atitudes tomadas. Assim crianças que receberam palmadas, tem mais chance de bater em seus filhos reproduzindo esse ciclo da maldade.
II. Palmadas estão associadas com resultados prejudiciais, de modo semelhante ao abuso físico 
Mesmo quando o castigo  era entendido de forma restrita (palmadas de mão aberta), ainda percebia-se a associação com resultados prejudiciais na criança. Ou seja, tanto o abuso físico quanto a palmada têm relação com os resultados prejudiciais na criança, similares em magnitude e em direção.
A pesquisadora do estudo, mostra que não é porque recebemos palmadas quando criança que estamos bem.
“Nós crescemos sem problemas apesar das palmada, não por causa delas …quando eu era criança não havia cintos de segurança nos carros. Será que eu cresci sem problemas porque meus pais não colocaram cinto de segurança em mim? Não. Eu cresci sem problemas porque nós não nos envolvemos em um acidente” Elizabeth T. Gershoff 
O estudo conclui:
“Com frequência, crianças são educadas usando métodos baseados na força física ou intimidação verbal para punir comportamentos indesejados e chegar a comportamentos desejados. Em muitos casos, ao invés de ser uma escolha disciplinar deliberada, esses métodos violentos são usados como resultado da frustração e da raiva dos pais e da falta de conhecimento sobre respostas não violentas (…). As consequências da disciplina violenta vão de efeitos imediatos a danos de longo prazo que as crianças carregam até a vida adulta”
Lei da Palmada

Child-spanked
No Brasil foi aprovada em 2014 a Lei da Palmada ou a Lei Menino Bernardo, que proíbe castigos físicos a crianças e adolescentes (PLC 58/2014). A lei trouxe muita controvérsia, principalmente porque todos os que batem justificam estar educando. Como o estudo acima mostra, bater não tem efeito educativo algum, além de dados alarmantes apontarem um ciclo grande de violência. Estima-se que a cada ora 5 casos de violência contra a criança são registrados, sendo que 80% dos casos são causados por parentes próximos. (http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2016/06/cada-hora-5-casos-de-violencia-contra-criancas-sao-registrados-no-pais)
Pais e mães que precisam de auxílio na educação da criança, foi lançada um cartilha de linguagem simples e bem explicativa de como educar sem violência.
A cartilha pode ser encontrada nesse link: https://crescersemviolencia.files.wordpress.com/2014/06/panfleto-crescer-sem-violc3aancia.pdf
Outra cartilha desenvolvida para o fim dos castigos humilhantes idealizado pelo ProMundo e Save the Children se encontra nesse link: http://primeirainfancia.org.br/wp-content/uploads/2016/04/Pelo-fim-dos-castigos-fisicos-e-humilhantes.pdf
Há ainda 10 medidas fáceis e bem simples, elencadas pelo site Maria Cecília Souto Vidigal para educar sem palmada

Raisa Coppola
Mestre em Distúrbios do Desenvolvimento (Mackenzie - SP)
Pós Graduanda em Psicologia Analítica (UNESA)
Estudou Educação especial/Autismo no Geenspan Floortime Approach
Terapeuta Floortime Nível Básico pelo ICDL Institute
email: raisacoppola@gmail.com
tel: 97530-6241

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