Buscamos durante a vida toda o olhar que nos foi roubado!
Toda a nossa sociedade está estruturada para que nós não paremos, não nos aquietemos, evitemos o silencio. O homem de hoje está sendo tão atravessado por tantos estímulos, que muitas vezes, quando aquietado, deprime.
Com isso, muitos não podem parar, pois quando param mergulham na depressão, no desanimo, na prostração, na ansiedade. Isso é um sinal de que perdemos a capacidade de aquietar o nosso coração e nossa mente.
A quietude e o silencio foram banidos da nossa sociedade. Temos que estar conectados o tempo todo: a internet, a celulares, aos amigos, ao desempenho, a mídia.
Porem é necessário que nós nos enchêssemos continuamente de uma disposição para ir para o lugar do silêncio, o lugar da quietude. O lugar em que as vozes se calam, as vozes da arrogância, da preocupação, do ter, do orgulho, da ansiedade, e sermos nós mesmos sem pressão e deixarmos de tentar ser o que não somos. Assim como uma moeda desgastada, mesmo que ainda a esfinge esteja desaparecendo, ela ainda é uma moeda e ainda tem valor.
Todos nós temos valor, independente do que façamos. A estima é construída, apesar desse valor que há em nós, precisamos de relações humanas para encontrar uma verdadeira estima. Nós precisamos de um olhar amoroso que nos constitua, e geralmente esse olhar é o da mãe.
De modo geral, a mãe quando olha para a criança, olha com um olhar encantado. E esse encantamento vai tomando diferentes formas ao longo do desenvolvimento da criança. A mãe olha para criança e a vê. É essa visibilidade que vai construindo um terreno da autoestima para a criança.
Esse olhar vai produzir a segurança psicológica, que é a condição necessária para o provimento afetivo que permite a ela enfrentar o mundo, e não perceber o mundo como hostil, como desqualificante ou como amedrontador.
Quando não encontramos esse olhar, vamos desenvolver uma vida como pessoas muito tímidas, como pessoas que desconfiam do seu valor, como pessoas que não acreditam no que fazem e precisam muito de certificações e ratificações sobre seu próprio valor. Se formos privados desse olhar, vamos perseguir esse olhar por toda a nossa história.
Isso é tão forte e tão presente, que não vemos somente na espécie humana, nos mamíferos de uma forma geral, também fazem contato visual, querem ser percebidos, querem ser vistos. Isso na experiência humana é o olhar do pai e da mãe que nos dá valor, que nos demonstram que somos amados, queridos, temos valor em nós mesmos, enquanto não podemos fazer nada, apenas mamar e dormir.
Temos chances de encontrarmos esse olhar na idade adulta, mas o grande fundamento vai acontecer na infância e na adolescência.
Como podemos desenvolver uma autoestima adequada?
- Aceitar a si mesmo
- Um grande desafio que devemos enfrentar é nos libertar das grandes ilusões e das grandes expectativas sobre nós mesmos. Desistir das grandes expectativas da adolescência de que eu posso tudo, eu faço tudo, eu quero conhecer tudo. A nossa relação com o mundo tem limites. Aceitando os nossos limites entenderemos quem somos e abrirá nossos olhos para outras riquezas da vida.
- Aceitar e nos reconciliarmos com a nossa própria história. A nossa história é um capital que temos, e como capital podemos fazê-lo crescer ou diminui-lo. Isso é necessário para que avancemos.
- Aceitar a nós mesmos com humildade. “Humildade é aceitar a verdade acerca de si mesmo”. Precisamos de humildade para saber lidar com o que temos o que não temos e o que desejamos. É própria da arrogância, a cegueira. Quanto mais arrogante, mais cego.
- Ser capaz de rir de nós mesmo. Não tenhamos medo do “mico”, de sermos ridículos. Uma pessoa que não aprendeu a rir de si mesmo, não aprendeu o nível de clareza sobre si. Nós temos muitas histórias ridículas na vida, e perceber isso é saúde.
- Descobrir que devemos estar mais em nós mesmo.
- Confiar nos nossos próprios sentimentos. Pessoas durante a vida inteira não confiam no que sentem. Não ter opinião.
- Não depender do humor dos outros. Ex. Se o meu chefe está bem, eu estou bem.
- Centrar naquilo que descobrimos como alegria. A alegria deve ser exercitada.
- A partir da ausência de comparação. Pessoas passam a vida inteira se comparando com o outro.
- Cuidar do corpo
- Muitas pessoas melhoram quando cuidam do corpo, não porque somos de uma sociedade que valoriza muito isso, mas cuidar do corpo, porque se quer sentir bem, porque gosta de si mesmo. Pessoas que não gostam do corpo podem contar com a ajuda da ciência para melhorar a autoestima, como por exemplo, o uso da cirurgia corretiva.
- Caminho da fé
- Exposição a uma comunidade de fé. É o caminho trilhado a partir do conhecimento da fé sobre nós. A antropologia (conhecimento do homem) vai impactar na nossa Teologia (conhecimento de Deus), seja qual for a definição de Deus que se tenha. E o conhecimento de Deus vai nos impactar no nosso conhecimento de nós mesmos. E vou descobrindo o meu valor para Ele. Somos resultado daquilo que nos expomos.
- Participar de um grupo amoroso. Estar com pessoas que vão nos ajudar a perceber o quanto somos importantes e o quanto se preocupam conosco.
- Gastar um tempo significativo meditando
O equilíbrio é caminhar no lugar do meio, nem à arrogância que é cega e que encobre uma autoestima baixa, e nem a uma pequenez que nos impede de olhar no olho de outro e temê-lo por causa de sua crítica e falta de qualificação. Temos que buscar o lugar que temos paz com nós mesmos, e que aceitemos o jeito que temos, com as sobras e luzes, com as riquezas e dores, sabendo que tudo um dia, passa.
Marcia Miguel
Psicóloga CRP: 26.810/5
E-mail: marciamiguel00@gmail.com
Marcia Miguel
Psicóloga CRP: 26.810/5
E-mail: marciamiguel00@gmail.com


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